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“As marcas conversam com os consumidores hoje. Em qualquer canal, até nos supermercados. A propaganda antes estava nos veículos e, agora, está espalhada pela vida das pessoas”.
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Nizan Guanaes. – Caderno ZH Dinheiro – 21 de agosto de 2011.

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Gostando ou não da figura, ele tem razão. Concordo totalmente com o dono da Africa.
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UPDATE*:
Abaixo entrevista completa.
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O PLANETÁRIO NIZAN
Ícone da propaganda brasileira, nome que figura entre os mais influentes do país, publicitário cruza fronteiras
Ele parece mesmo um turbilhão de ideias. Faz mil coisas ao mesmo tempo, responde, divaga, teoriza, olha mensagens no BlackBerry, mexe constantemente no cachecol usado para se abrigar da noite gélida na capital gaúcha, prova diversos tipos de carne ao longo de um jantar. E ainda arruma tempo para voltar a épocas passadas e, especialmente, projetar o futuro do Brasil e o seu próprio. Nada demais se tratando de Nizan Guanaes, já escolhido como um dos brasileiros mais influentes pelo Financial Times, como um dos homens com poder para influenciar a mídia este ano e um dos cem empresários mais criativos do mundo.
O baiano, 53 anos, desfila títulos como quem troca de roupa – tem até um comercial seu, Hitler, – escolhido como um dos melhores do século 20 no mundo. Mas não é só, nem isso basta. Muito do sucesso é creditado ao bom momento vivido pelo Brasil, acredita o redator que, ainda hoje, escreve seus comerciais a mão. Campanhas que acumulam prêmios e fazem disparar negócios dos clientes como Itaú, Walmart, Brahma, Grendene e Vivo, entre outros. E que, ele espera, em breve cruzem ainda mais o oceano na cola da expansão das empresas verde-amarelas – hoje, já são duas agências no Exterior (Nova York e San Francisco) e que terão a companhia de mais duas: Hong Kong e Londres, capital que considera ter a melhor publicidade do planeta e símbolo de um ícone seu – Winston Churchill.
Do grupo que lidera, o ABC, fazem parte 14 empresas, lideradas pela agência Africa, onde trabalham 2 mil pessoas em serviços especializados de marketing, conteúdo e entretenimento, além da publicidade, claro. E que, em apenas nove anos, já ocupa a 19ª posição entre os maiores de comunicação e marketing do mundo. Foi o ABC também que obteve o maior crescimento do setor no planeta no ano passado – 30%, 11 pontos percentuais acima da média do mercado.
Muito disso vem do irrequieto administrador de empresas – “meu lado touro, o redator é gêmeos” – que ainda hoje faz questão de atender pessoalmente seus clientes. Trabalho que também dá espaço a causas sociais, especialmente no campo da educação. Em uma conversa sobre os avanços econômicos do país, Nizan dá um tempo para elogiar o programa do governo que prevê 100 mil bolsas de estudo no Exterior para estudantes brasileiros até 2014.
– Um dos mais importantes programas da história do Brasil, a melhor coisa que aconteceu após a criação da USP – compara.
Como ninguém é de ferro, o ex-gordo Nizan, que perdeu 68 quilos depois de uma cirurgia de redução do estômago, ainda aproveita um pouco do lazer, direito conquistado com o seu trabalho. É quando ruma de São Paulo para, religiosamente, passar todos finais de semana no Rio, em frente à praia do Arpoador, acompanhado da mulher e dos três filhos. Ou nos réveillons, na casa em frente ao belo e verde mar de Trancoso, na sua Bahia, ao lado de um grupo de fiéis amigos de anos, embora confesse:
– O que eu gosto mesmo é do mundo.
E é como homem planetário que Nizan fala a ZH.
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“Dona Maria empurra a comunicação para cima”
À frente do Grupo ABC de comunicação – um conglomerado de 14 empresas nas áreas de publicidade, marketing, conteúdo e entretenimento –, Nizan Guanaes transpõe a figura de um chairman preocupado com os negócios, seus clientes e 2 mil funcionários. Em entrevista a Zero Hora, numa noite chuvosa e fria de Porto Alegre, desfilou por assuntos do meio, como o papel das marcas, a força da classe C e a comunicação do governo Dilma, até temas da atualidade, como o esgotamento de aeroportos e a concorrência chinesa.
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AS MARCAS E OSCONSUMIDORES
As marcas conversam com os consumidores hoje. Em qualquer canal, até nos supermercados. A propaganda antes estava nos veículos e, agora, está espalhada pela vida das pessoas.
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A MALA ROSA, NÃO A PRETA
Mais do que nunca, é preciso de talento, pensamento estratégico, disciplina, tanto que hoje não adianta só você ter verba. Hoje, quem tem menos verba, às vezes, até acerta mais porque é obrigado a ser mais eficaz. Muito dinheiro pode levar ao desperdício, ao tédio e a você se comunicar exatamente como os outros se comunicam. É enorme a quantidade de comerciais que se recebe. Então, se você não fizer um negócio diferente, não vai se destacar. Comunicação é como mala numa esteira. Pela pesquisa, são todas iguais – pretas e cinzas, mas quem vai se destacar é a rosa.
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OS ÁVIDOS EMERGENTES
Como cidadão, fico muito feliz de ver que o país tem 52% de sua população de classe média, é um espetáculo, muito diferente do Brasil que eu nasci. O futuro chegou, é hoje e isso é fantástico. Isso que vou dizer é uma figura de linguagem do Prahalad, não deve ser levada ao pé da letra, mas mostra como a situação está. Quando o sujeito faz uma ficha de crédito nas Casas Bahia, ele passa a existir, ele ganha uma identidade comercial. Não é que o ser humano seja só consumir, mas ele passa a ter uma identidade.
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AEROPORTO CHEIO É ABENÇOADO
Este consumo é muito interessante porque a cesta básica deixou de ser básica. A dona Maria quer beijar, quer lavar o cabelo, ficar bonita, quer comprar um carro, viajar para o Exterior. O problema da infraestrutura com os aeroportos lotados é um problema abençoado. Graças a Deus estão lotados, o resto é conversa fiada.
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A AVALANCHE BRASILEIRA
Foi esta avalanche de consumo que fez o país crescer, fez os ativos brasileiros se valorizarem tanto, ampliou a valorização da propaganda brasileira e despontou a avidez dos grupos internacionais pelo país. O Brasil não é uma janela de oportunidade, é uma porta, um caminho. É um país democrático, com imprensa livre e democracia racial. Os preconceitos que existem são pessoais, acidentes intelectuais, não organizados. Temos um país com água, energia renovável, uma agricultura pujante, pesquisa de qualidade graças à Embrapa. Aliás, falta uma Embrapa à indústria. As pessoas falam muito de commodities, mas o Brasil não tem só commodities ele tem modernidities.
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A PUBLICIDADE CHEGA À CLASSE C
É fundamental chegarmos à nova classe média. São essas pessoas que estão fazendo o mercado de automóveis ser o que é hoje, o mercado imobiliário ter o dinamismo atual. Nem acho que o endividamento esteja fora de controle. Participei de uma palestra na China, quando algumas pessoas dos países antigamente desenvolvidos, hoje subemergentes, chegaram com tese de que agora nós temos de consumir responsavelmente. E eu falei: agora que começou a nossa festa? Ah, não, não estamos desperdiçando nada. Você vai dizer para a dona Maria, que antes só olhava a vitrine, que ela não vai comprar o carro dela? Ah, não, amigo, o mundo não está do jeito que está por causa da dona Maria, mas, sim, por uma alavancagem no antigo Primeiro Mundo de 60 vezes. O problema não tem a ver com a gente.
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COMUNICAÇÃO DO GOVERNO DILMA
Emagreci 60 quilos para ficar em cima do muro, eu não mexo em política, não quero analisar a comunicação, mas tenho enorme apreço pelo que a presidente está fazendo. E falo isso como empresário porque acho que o Brasil tem conseguido uma linha mestra em continuidade de avanços, desde o Fernando Henrique com o real, o Lula com as políticas de Bolsa-Família. São avanços sobre avanços. E, agora, a Dilma muito dentro do estilo dela. O Brasil tem avançado muito, vejo a nossa situação com muito ânimo.
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A COPA E A OLIMPÍADA
A grande receita é pensar em 2017, ver a mensagem que ficou, o que sua marca vai significar quando soar o apito da final da Copa e a cerimônia de encerramento dos jogos. Eu, por exemplo, estou aproveitando a Copa e a Olimpíada para construir uma marca global, a da Africa. Para o Brasil aproveitar o momento, é preciso não ter medo do mundo, mas encontrar nosso espaço de inserção nele.
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VENCENDO A CHINA
Não acho que vamos vencer da China na base de preço, mas diferenciando nosso produto com qualidade, design, inovação. Recentemente, vi uma empresa no interior de São Paulo que, em vez de querer fazer sapato barato, está vendendo sapato caro para a China e tem ido bem. A China tem uma classe rica com 450 milhões de pessoas. Na nossa agência, a Africa, a mais bem-sucedida do país, não seremos os mais baratos, nem de menor custo-benefício, mas altamente qualificados e especializados, onde o cliente é atendido pelos donos.
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DISCIPLINA DE BEETHOVEN
Os publicitários precisam, sim, de disciplina, não há outra opção. Nem é verdade que a disciplina inibe a criatividade. Só temos música clássica porque Beethoven teve a disciplina de botar a inspiração dentro da partitura. Se a gente tiver criatividade, mas não contar com disciplina, estratégia e inovação, não vamos vencer. Criatividade doidivana não leva a lugar nenhum, não é eficaz.
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PUBLICIDADE BRASILEIRA LÁ FORA
Como a nossa economia não se expandia pelo mundo, a publicidade brasileira não chegou no Exterior onde tem condições de estar. Ainda. Os EUA, por exemplo, começaram a se expandir pelo mundo em 1910/1915, e a propaganda americana é a McCann e a Thompson. A Coca-Cola se expandiu para levar bebidas às tropas, a McCann foi atrás. E a Thompson foi com a GM. É isso que começará a acontecer com as agências brasileiras, que vão acompanhar a expansão das empresas nacionais pelo mundo. A oportunidade da propaganda brasileira é agora porque antes não havia condições econômicas. E a propaganda não pode dançar sozinha, mas com a economia.
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UM TOQUE PARA OS JOVENS
Seja um homem de mídia. O próximo Washington Olivetto sairá do setor de mídia, o novo megagênio não vai sair da área de redação, mas da mídia. Será o entendimento adequado de linguagem da mídia com a criatividade.
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* A ZH que me desculpe em copiar o conteúdo deles, mas essa vale a pena ser compartilhada.
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Adios.